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Um artigo que li no livro: O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota - Olavo de Carvalho. Achei muito interessante e acredito que seja proveitoso para todos seres humanos, principalmente os brasileiros que aparentemente são seres a parte, graças a cultura impecável. Sou admirador de Olavo de Carvalho, todos os direitos e méritos desse post são deles, acessem o seu site oficial em: www.olavodecarvalho.org
“Uma das experiências
mais perturbadoras que tive na vida foi a de perceber, de novo e de novo ao
longo dos anos, o quanto é impossível falar ao coração, à consciência profunda
de indivíduos que trocaram sua personalidade genuína por um estereótipo grupal
ou ideológico.
Diga você o que disser,
mostre-lhes mesmo as realidades mais óbvias e gritantes, nada os toca. Só
enxergam o que querem. Perderam a flexibilidade da inteligência. Trocaram-na
por um sistema fixo de emoções repetitivas, acionadas por um reflexo insano de
autodefesa grupal.
No começo não é bem uma
troca. O estereótipo é adotado como um revestimento, um sinal de identidade,
uma senha que facilita a integração do sujeito num grupo social e, libertando-o
do seu isolamento, faz com que ele se sinta até mais humano. Depois a
progressiva identificação com os valores e objetivos do grupo vai substituindo
as percepções diretas e os sentimentos originários por uma imitação esquemática
das condutas e trejeitos mentais do grupo, até que a individualidade concreta,
com todo o seu mistério irredutível, desapareça sob a máscara da identidade
coletiva.
Essa transformação
torna-se praticamente inevitável quando a unidade do grupo tem uma forte base
emocional, como acontece em todos os movimentos fundados num sentimento de
"exclusão", "discriminação" e similares.
Não me refiro, é claro,
aos casos efetivos de perseguição política, racial ou religiosa. A simples
reação a um estado de coisas objetivamente perigoso não implica nenhuma
deformação da personalidade. Ao contrário: quanto mais exageradas e irrealistas
são as queixas grupais, tanto mais facilmente elas fornecem ao militante um
"Ersatz" de identidade pessoal, precisamente porque não têm outra
substância exceto a ênfase mesma do discurso que as veicula.
À dessensibilização da
consciência profunda corresponde, em contrapartida, uma hipersensibilização de
superfície, uma suscetibilidade postiça, uma predisposição a sentir-se ofendido
ou ameaçado por qualquer coisinha que se oponha à vontade do grupo.
No curso desse
processo, é inevitável que o amortecimento da consciência individual traga
consigo o decréscimo da inteligência intuitiva. As capacidades intelectuais
menores, puramente instrumentais, como o raciocínio lógico verbal ou
matemático, podem permanecer intactas, mas o núcleo vivo da inteligência, que é
a capacidade de apreender num relance o sentido da experiência direta, sai
completamente arruinada, às vezes para sempre.
A partir daí, qualquer
tentativa de apelar ao testemunho interior dessas pessoas está condenada ao
fracasso. A experiência que elas têm das situações vividas tornou-se opaca,
encoberta sob densas camadas de interpretações artificiais cujo poder de
expressar as paixões grupais serve como um sucedâneo, hipnoticamente convincente,
da percepção direta.
O indivíduo
"sente" que está expressando a realidade direta quando seu discurso
coincide com as emoções padronizadas do grupo, com os desejos, temores,
preconceitos e ódios que constituem o ponto de intersecção, o lugar geométrico
da unidade grupal.
O mais cruel de tudo é
que, como esse processo acompanha "pari passu" o progresso do
indivíduo no domínio da linguagem grupal, são justamente os mais lesados na sua
inteligência intuitiva que acabam se destacando aos olhos de seus pares e se
tornando os líderes do grupo.
Um grau elevado de
imbecilidade moral coincide aí com a perfeita representatividade que faz do
indivíduo o porta-voz por excelência dos interesses do grupo e, na mesma
medida, o reveste de uma aura de qualidades morais e intelectuais perfeitamente
fictícias.
Não conheço um só líder
esquerdista, petista, gayzista, africanista ou feminista que não corresponda
ponto por ponto a essa descrição, que corresponde por sua vez ao quadro
clássico da histeria.
O histérico não sente o
que percebe, mas o que imagina. Quando o orador gayzista aponta a presença de
cento e poucos homossexuais entre cinquenta mil vítimas de homicídios como
prova de que há uma epidemia de violência anti-gay no Brasil, é evidente que o seu
senso natural das proporções foi substituído pelo hiperbolismo retórico do
discurso grupal que, no teatro da sua mente, vale como reação genuína à
experiência direta.
Quando a esposa
americana, armada de instrumentos legais para destruir a vida do marido em
cinco minutos, continua se queixando de discriminação da mulher, ela
evidentemente não sente a sua situação real, mas o drama imaginário consagrado
pelo discurso feminista.
Quando o presidente
mais mimado e blindado da nossa História choraminga que levou mais chicotadas
do que Jesus Cristo, ele literalmente não se enxerga: enxerga um personagem de
fantasia criado pela propaganda partidária, e acredita que esse personagem é
ele. Todas essas pessoas são histéricas no sentido mais exato e técnico do
termo. E se não sentem nem a realidade da sua situação pessoal imediata, como
poderiam ser sensíveis ao apelo de uma verdade que não chega a eles por via
direta, e sim pelas palavras de alguém que temem, que odeiam, e que só
conseguem enxergar como um inimigo a ser destruído?
A raiz de todo diálogo
é a desenvoltura da imaginação que transita livremente entre perspectivas
opostas, como a de um espectador de teatro que sente, como se fossem suas, as
emoções de cada um dos personagens em conflito. Essa é também a base do amor ao
próximo e de toda convivência civilizada.
A presença de um grande
número de histéricos nos altos postos de uma sociedade é garantia de
deterioração de todas as relações humanas, de proliferação incontrolável da
mentira, da desonestidade e do crime.”
Disponível em: http://www.olavodecarvalho.org/semana/121212dc.html

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